Sentado sob uma velha macieira, de folhas alaranjadas com um leve contorno vermelho em suas pontas, estava um jovem garoto. Sua aparência franzina era bizarra para sua idade; seus cabelos eram compridos e iam até seus ombros; seus olhos cansados esbanjavam uma bela coloração verde, como se tivesse duas esmeraldas no lugar das pupilas. Trajava uma roupa simples, costurada a mão por sua doce mãe, cujo rosto ele já não se lembrava mais.
A vida havia sido severa com o rapaz, levando para o reino dos mortos a única pessoa que ele tivera certeza de que realmente o amara. Ele ainda podia sentir os braços de sua mãe tocando seu corpo, como se mesmo em outro mundo, ela pudesse abraçá-lo e acariciá-lo naqueles momentos de medo.
O garoto tirou de suas costas o pesado saco de estopa que levava em suas costas, repousou-o na terra seca e, devido ao cansaço que a viagem lhe proporcionara, dormiu.
Seus sonhos estavam recheados de alegria e comida, tudo o que ele mais desejara. Ele se viu de pé em frente a casa na qual vivera com seus pais durante toda sua vida. Todas as suas memórias estavam lá. Por um momento, o garoto se sentiu confortável, com um calor crescendo em seu peito. Mas da mesma forma que a casa surgiu, ela desapareceu. Um forte cheiro de fumaça contaminou seu nariz e seus pulmões.
Em instantes, a casa na qual ele se abrigava ardeu em chamas, levando embora sua família, seus amigos e toda sua felicidade.
O garoto tentou abrir a porta, mas a casa se desfez em poeira.
Ao acordar, o garoto percebeu que estava agarrado ao saco de estopa. Ele chutou-o para longe, derrubando seu conteúdo, mas ele logo se arrependeu do que fez e pôs-se a juntar tudo de novo.
O rapaz chorava enquanto recolhia os ossos de seu pai.